quarta-feira, 30 de junho de 2010

Não é Assim

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Não é que estar sozinho
fosse melhor alternativa
a recepção está mais modesta
mas a disposição é receptiva

Não é que estar com os outros
fosse tão desagradável
na verdade ser aceite
é um fogo insaciável

Não que esta diferença
fosse uma presença convidada
ela dobra tão no fundo
que não precisa ser forçada

Não é assim
mas é verdade que
também acontece entardecer
no seu alpendre ensombrado
entre o whisky e o cigarro
no lugar onde ele, por fim, se entorna e se permite confessar
que os bons amigos são, de facto, raros de encontrar

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Movimento-me em pequenos circulos dentro desta grande sala
para não me habituar ao espaço.

Não quero perder o que posso vir a ter
e assim fico sem saber
o que de melhor poderia acontecer
se me afastasse do circulo em elipses maiores
e pisasse aquele chão que me assusta tanto.

Se calhar é melhor assim
o meu coração não ver o fim
e os meus pés não pensarem no que fazem.

Se calhar consigo mentalizar-me
que nunca quis alargar-me
e deixar-me afunilar
até não ter para onde andar
e ai finalmente poder descansar.

se calhar

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Ponto Final

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Escuta cá uma coisa e dá-me a tua opinião
era bom ter uma voz que não me desse razão

Compreende e consente que eu
estimo a tua troça benevolente
dá-me mais desse porto
dava-me jeito o conforto
preciso por um pé em terra
enquanto o mar está revolto
enquanto o mar está zangado
não faz caso de mim
e custa saber
que na verdade é assim

Na verdade estou atenta mas só percebo metade
na verdade é cedo demais para tanta verdade
na realidade não havia necessidade
nem é minha vontade
eu que tenho
milhas
para
nadar
antes
de
dormir

segunda-feira, 23 de março de 2009

um dia escrevi
e esqueci o que disse
voltei-lhe as costas
e continuei a andar.

fingi que não vi
e esperei que se cumprisse
perdi-me em voltas
e cansei-me de desejar.

finalmente desisti
e olhei como se não visse
vi páginas soltas
e um branco agudo que me fez cegar.

hoje não escrevo
não espero, não ando
converto-me ao silêncio
que quase nunca se lembra de me magoar.

domingo, 1 de março de 2009

Menos barulho por favor

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Preciso de uns minutos para
me vestir e lavar os dentes
calçar as botas para ir à rua
onde a faina continua
e levo uma camisa tua
para me lembrar
que a vida é fácil
fácil no corpo leve
sempre em guerra
sempre em greve
está mais brando agora frente
a um copo de água e sais
saio mas não demoro
é só passar nos jornais
e viro a esquina para o Morais
logo à noite fico em casa
que ontem bebi demais
pois se bebi e daí?
perguntem à garrafa
“Senhor agente não é abuso
eu consenti!”
e foi quase amor
não fosse sonhar com água pura
porque a distância perdura
no tempo que exala e se expande
eu quero ser uma coruja
quando for grande
quando eu for gente
um continente
sem ilhas de nevoeiro
leva o copo direito
para chegar inteiro
e se puder ir a pé
não levo o carro
no café fico-me por uma bica
uma imperial
e um cigarro

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Exercício das 6 palavras (x3)

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Consentiu reluntante e assinou o nome
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Já não há gente nesta casa
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Comeram, beberam e venderam as crianças
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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Sr. Playboy

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O senhor playboy já foi menino
e aprendeu de pequenino
que os cartuchos
são para queimar

Então?
que mais senão
subir ao escorrega
para aterrar no chão
ser sempre o vilão
o primeiro a soltar a mão deliciado
de tão drogado no prazer da descida
o senhor playboy tem uma agenda escondida

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Não olhes agora mas


Ele vai cair
escorregar do trono
largou no sono
e deixou partir

O vão da escada
cedeu por nada
pancada
atrás de
pancada
deixou de ser segredo
ele já não tem medo.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Tento perder-me
mas teimo em encontrar-me
e não sei para onde fugir

Tentei comer-me
mas não tenho estômago
então deixei-me no canto da boca

Leio em leves ondulações
pronuncios de uma quimera impossivel
e ali não consigo mentir
deixo para trás o dever
e impossibilitado só consigo sentir
não me tenho mas consigo avistar-me
e sei que de lá não quero vir
mas acordo todas as manhãs
com aquele gosto colado ao céu da boca
e surpreso apanho-me a sorrir

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

"O Paraíso, Agora!"



Eu vou...

e parto plena de mudança
no projecto de uma nova
prerrogativa confiança

Era agora,
mas o dia moveu maneira
de me roubar a hora
atrasou-me na demora
estive à beira
da vitória certeira

E volto...
para aquele canto no espaço
descansar as minhas dores
esse espaço tão propício
à companhia do vício
onde todos somos vencedores

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Carne

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Quero...
possuir
consumir
pilhar
que já palpita exagerar
invadir o direito
tem de ser feito
e não fui eu que escolhi
este fado na sorte
mas a natureza
é carne
e a carne
é forte

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Poesia-Paixão

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A poesia-paixão
expande o cerco da vida
arde compreensão
em surda combustão
É mais justa a lei adormecida

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Mais uma Chance a Menos



Este amor não é o meu

prometeu mas esqueceu
aconteceu que entardeceu
depois do crime que cometeu
meu romance
cansou a chance

Era um porto de algodão rosa
que o mar atingiu
bateu-se à luta e ruiu
mas foi amor que existiu
e tanto quanto conheceu
foi quanto redimiu

quinta-feira, 31 de julho de 2008

terça-feira, 29 de julho de 2008

A Dor é Pontual



No meu sonho

havia uma escolha
havia um banco de jardim
havia prometido
a insónias mais severas
que me decidia por mim

Fui imprudente
previsível jeito inocente
de me julgar potente
capaz de fabricar sentidos
por mim movidos
muito expedita a perturbar
a superfície da lagoa
não sabia que
a ponta afiada magoa
magoa mais
aquando da paralisia total
tão brutal
que nada mais é real

Não tinha feridas certamente
se me entreguei completamente
não me recordo
não sei onde está
aquilo que deixei cair
mas não foi por o ter perdido
que resolvi fugir

Hoje o meu sonho é mais breve
borbulha, inflama e desaparece
tenho recados para fazer
trabalhar para crescer
pretendo lançar-me a cumpri-los
meia grama para cinquenta kilos
casou o valor e a liquidez
Agora... Era uma vez

terça-feira, 1 de julho de 2008

Frente da Luta


Ele é um homem elevado
mais acordado

O que eu queria mesmo era
apanhá-lo desprevenido
e tomá-lo como amigo
roubá-lo, levá-lo comigo
e mostrar-lhe que não é assim
que sempre será defendido
se depender de mim

Vou recordar ao meu amigo
que aquilo que se sente
foi agravado pela mente
para ser única verdade presente
mas houve um tempo em que
contámos os anos pela mão
naquela altura o projecto
vinha depois da construção

E se ele não quiser falar
eu espero por perto a seu lado
teremos a companhia um do outro
cada um com o seu ruído privado

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Este é Meu

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Meu orgulho insondável
minha aquisição mais preciosa
um poder ser ilimitado crescerá ao meu cuidado
certeza que me atinge como um trago
clarão sem trovão de ansiedade e gratidão
por esta oportunidade de rebelião
de perdoar em mim a imperfeição
porque a verdadeira emancipação está para vir

Para ele quero o ideal vitral do sonho azul
fundações que não o deixem vacilar
se eu me conseguir superar desta vez
talvez...
ele não hesite em acreditar
que quem lhe dá amor
encontrou motivos para isso

Para ele quero um sentido maior
paz interior
motivos inteligentes
coragem para continuar
verdade

Para ele todo o carinho e paciência
ponto-convergência da minha devoção

Meu filho terá mãos grandes como as minhas
e vou esperar ansiosamente até lhe poder dizer
sabendo que irá compreender;

"As tuas mãos são grandes para agarrares muito"

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Existes Agora


Só tu
sem adornos
de encontro à calçada molhada
testemunha delatora das tuas investidas
numa manhã mais real que as outras

Só tu
com o cabelo em desalinho
em tons de violeta distinção
numa cidade-ruína
de onde desertaram
todos os protagonistas

Só tu desta vez
sem o apoio da pertença
a anestesiar os teus sentidos
sem o fumo e o licor
dos recantos da noite anterior
surge forma de apreciar melhor
o propósito-acidental de tudo isto
tudo quanto existe ser visto
tal qual como é

E quando por fim inevitável
o tremor da multidão habitual
perturbar teu tempo

segues blindado
em pensamento...


Antes de mais nada,
este mundo também é Teu.

segunda-feira, 26 de maio de 2008


... Um ponto de interrogação no meio das respostas ...

domingo, 18 de maio de 2008

Tenho Vertigens


Não se perdeu toda a inocência certamente
mas aconteceu surgir no tempo
novo compasso, doente


Afinal...

Um puxão apenas
desata o laço sedoso
ponto de costura engenhoso
no trançado versado das escolhas


Quando...

Licenciosa perversão
provoca minha superfície polida
cálculos de usura e proveito
ameaçam render-me comprometida


Porque...

Desafino da origem
e precipito-me na vertigem
de soltar a mão e saquear o dia
viagens nos meus sonhos de soberania


e No entanto...

Um homem não é só ébano ou luz
cada resultado só participa
do entendimento que o produz